O que fazem

Como já vimos na seção O que é, matemáticos são os cientistas que calculam, desenvolvem e resolvem problemas, criam fórmulas e modelos pra problemas práticos ou teóricos.

Agora que você já tem ideia da atividade matemática, vamos ver como isso se manifesta na formação universitária. Na graduação, existem o bacharelado e a licenciatura e é possível atuar tanto em matemática pura quanto na aplicada. Para os mais interessados, vale a dica dos cursos de verão. É importante não esquecer que, por ser tão versátil e poderosa, você não vai poder aprender matemática só nos departamentos de matemática: várias outras atividades científicas criam e usam a matemática que interessa a elas. Aliás, não são raros os alunos de engenharia que vêm fazer cursos de matemática para aprender mais sobre algum assunto específico e acabam se tornando matemáticos, encantados com o que encontram!

Bacharelado

bacharelado é o diploma universitário de graduação em matemática. Aqueles que têm interesse em matemática pura não param aqui e entram na pós-graduação. Alunos com interesses em aplicações têm dois caminhos: eles podem começar sua vida profissional no mercado de trabalho, ou procuram uma pós-graduação que não é necessariamente num departamento de matemática, onde, aliás, costumam ser muito bem recebidos.

Mesmo se você estiver inscrito num curso de engenharia, você pode ter contatos com matemática em várias intensidades. Além dos cursos de cálculo habituais, algumas universidades oferecem as turmas especiais, dedicadas a alunos com interesse maior. Você pode fazer cursos introdutórios em álgebra ou análise, ou mesmo em alguma aplicação. Em geral, cursos de matemática têm turmas pequenas, o que pode levar a relações professor-aluno mais atenciosas. Existem as monitorias e os projetos de iniciação cientifica, oferecidos pelo departamento de matemática de sua universidade, que até contribuem com uma pequena bolsa. Os alunos aprimoram suas habilidades como expositores, ou se envolvem em projetos de leitura e pesquisa, sempre acompanhados por docentes mais experientes. Alunos mais avançados podem fazer cadeiras de pós-graduação ou participar de várias atividades complementares extra-curso. Muitas universidades oferecem também cursos de verão, na expectativa de interessarem alunos no fim da graduação a ingressar num programa de pós.

Para alunos no final da graduação em matemática, é interessante participar de cursos de outros departamentos (engenharia elétrica, produção), a fim de perceber como seu preparo matemático já dá frutos – os cursos se tornam bem mais fáceis de acompanhar.

Envolver-se com as olimpíadas de matemática também é uma atividade de grande importância, pois a competição não permite apenas o destaque dos futuros talentos da área. O aluno, quando vai participar, se motiva para estudar e consegue aprender mais. Mesmo que ele não ganhe nada, só o treinamento já vale muito, ele passa a dar outra importância para a matemática.

Ensino básico e pesquisa

Muitas vezes, os alunos não percebem que poderiam se tornar cientistas, uma atividade de enormes possibilidades, passando do pensamento mais preocupado com aplicações à absoluta especulação teórica.

No ensino básico, a matemática não é uma matéria popular, o que faz com que grande número de jovens que poderiam desenvolver seu talento na área se sintam desencorajados. Isso é uma pena, porque a matemática pode trazer muita satisfação profissional e pessoal, tendo a capacidade de estimular o intelecto e o raciocínio. Ela treina o estudante para encarar e vencer desafios de maneira permanente, o que é precioso e muito importante para vida de modo geral.

A pesquisa tem uma característica que motiva os matemáticos: aprende-se, é claro, muito em sala de aula, mas é necessário trabalhar muito tempo sozinho, ou com alguns poucos colegas, internalizando cada tema estudado. As ideias têm que se tornar pessoais, os assuntos precisam ser vistos de vários modos até se encaixar no conhecimento já existente. Isso já se vê quando crianças aprendem a fazer contas: é freqüente que cada uma delas, em sala de aula, tenha uma maneira diferente de armar os cálculos. Aprender matemática é um exercício de reflexão e interiorização. Ela produz um diálogo com as próprias leis do pensamento e trabalha com a linguagem interna da mente.

Por outro lado, é estimulante trabalhar com pessoas, trocar ideias, discutir os problemas. Afinal de contas, por mais que a matemática seja, de certa forma, introspectiva, ela não é uma ciência solitária. Em muitos países, grupos de trabalho interdisciplinares frequentemente incluem os matemáticos aplicados, que têm uma disposição especial para acostumar-se à linguagem de outros pesquisadores.

Muitas pessoas têm dificuldade em compreendê-la porque ela se constrói em cima de si mesma: quando o estudante perde uma etapa, ele não consegue entender o que vem depois. Isso é um problema na formação escolar. Os conhecimentos são como uma escada que o aluno tem que ir subindo até chegar ao topo. Se não entender a equação do 2º grau, por exemplo, é porque não sabe direito a do 1º grau. Cada dificuldade na vida escolar tem que ser totalmente superada, senão vai atrapalhar todo o aprendizado que se seguir.

Outro aspecto característico da matemática é que, diferentemente das outras ciências, os conhecimentos não envelhecem – eles se acumulam, mas não se sobrepõem. Pode-se ler materiais matemáticos de várias épocas, desde Euclides, e ter uma sensação de frescor. O fato de que a matemática vem sendo construída por milênios faz com que a acumulação desse conhecimento se torne uma coleção maravilhosa de ferramentas, de modos de pensar.

Licenciatura

licenciado, por sua vez, se prepara para a carreira de professor de matemática no ensino fundamental e médio, ainda que possa continuar em nível de pós-graduação, tanto na área de educação matemática ou áreas afins. Algumas disciplinas de conteúdo matemático do currículo do bacharelado são substituídas por outras com conteúdo voltado para questões de ensino, frequentemente administradas por departamentos de educação.

Pós-graduação

Em matemática pura, as atividades do pesquisador e do aluno que avança nessa direção incluem pensar em estruturas matemáticas que ainda não se entendem, ou numa questão que a teoria desenvolvida ainda não resolve, ou ainda buscar relações novas entre conceitos conhecidos ou até mesmo originais.

A pesquisa em matemática aplicada inclui a análise de uma situação concreta como, por exemplo, a formulação de um problema usando a linguagem matemática e busca de ferramentas para resolvê-lo. Computadores permitiram fazer modelos cada vez mais ambiciosos, e contas cada vez mais complexas. Mas isso, por sua vez, exigiu um conhecimento muito maior de como fazer essas contas e como apresentar a quantidade enorme de resultados obtidos por essas contas.

Na pós-graduação, continuam as possibilidades de ensinar na universidade, e há também as bolsas mais substanciais, de mestrado e doutorado. Algumas poucas bolsas são concedidas a alunos com interesse de realizar seus doutorados no exterior, habitualmente em áreas não encontradas no país. São abundantes, por outro lado, as bolsas sanduíche, que permitem que o aluno passe um ou dois anos de seu doutorado numa instituição de pesquisa estrangeira.