O que é

A engenharia é a aplicação de conhecimentos e técnicas para a resolução ou otimização de problemas que afetam diretamente a sociedade. As especialidades são inúmeras, envolvendo todo o tipo de atividade humana.

Breve histórico

A engenharia, em seus diversos campos, possibilita a exploração de outros planetas do Sistema Solar, permite a comunicação no planeta em frações de segundo, promove a conexão de computadores portáteis e telefones celulares com a internet e gerou máquinas capazes de produzir grandes quantidades de produtos, como alimentos, automóveis e celulares.

Os engenheiros aplicam o conhecimento das ciências básicas (matemática, física, química, biologia) para desenvolver formas eficientes de usar os materiais e as forças da natureza em benefício da humanidade e do ambiente.

Embora a engenharia, enquanto transformação de ideia em realidade, sempre tenha sido exercitada pelo ser humano, seu nascimento como campo do conhecimento se deu apenas no começo da Revolução Industrial, constituindo um dos pilares do desenvolvimento das sociedades modernas.

Tradicionalmente, as engenharias lidavam apenas com objetos concretos, palpáveis. Atualmente, porém, esse cenário se ampliou, incluindo entidades ou objetos abstratos, não-palpáveis. É o caso das engenharias de custos, informática, de software, entre outras. De fato, toda engenharia envolve certo grau de abstração. Mas é uma ciência com os pés no chão. De uma maneira geral, é mais pragmática e ágil, posto que está limitada pelo tempo e pelos recursos definidos pelo projeto. O desenvolvimento de engenhos implica combinar conhecimento e inspiração para adaptar qualquer sistema à prática, para transformar ideias em realidade.

Consciência social

Há grande responsabilidade ética no desenvolvimento de ciência e tecnologia (C&T), tarefa do engenheiro. Mais do que instrumento de melhoria da qualidade de vida, C&T são o produto do que a sociedade pensa, do que ela supõe ser, do que ela preza e quer reproduzir, do que rejeita e quer eliminar, do que prioriza, do que esconde, do que admite vender e comprar, do que julga impossível transformar em moeda, da sua moral, do modo como se organiza coletivamente e de como se vive individualmente.

Essa consciência da natureza social da C&T tem se espalhado cada vez mais. Instituições como a Universidade Federal do ABC (UFABC) têm ajustado sua linha de pensamento a de grandes pensadores das ciências da engenharia. Dissemina-se assim a filosofia de que “escolas de engenharia devem desenvolver fortes programas em humanidades e ciências sociais” (W.K.Lewis) e de que “não se pode formar bons engenheiros se não tivermos uma grande ciência” (K. Compton).

Um bom exemplo: a Universidade Federal do ABC

No caso brasileiro, o pequeno número de engenheiros formados constitui um de nossos mais sérios atrasos para o crescimento sustentável. Mas além da quantidade, outro aspecto do problema aumenta a sua gravidade: a qualidade do engenheiro que está sendo formado. Tendo em vista essa preocupação, vêm se desenvolvendo grades curriculares que tentam diversificar a educação do engenheiro, para que tenha também uma formação humanística.

A Universidade Federal do ABC é um ótimo exemplo. Ela desenvolveu um bacharelado comum em ciência e tecnologia (BCT) que permite aos futuros engenheiros aprenderem os fundamentos científicos ao lado de futuros físicos, matemáticos, químicos e biólogos. O conhecimento é amplo e os diversos cientistas do amanhã se conhecem e desenvolvem pesquisas em conjunto, permitindo, numa lógica interdisciplinar, a ligação necessária entre as ciências.

A estrutura curricular do BCT da UFABC é inovadora. As disciplinas não evoluem sobre os recortes tradicionais (como cálculo, física, química etc.). Concebidas para valorizar os fundamentos das ciências, elas evoluem ao longo de seis eixos de formação multidisciplinares: Estrutura da matéria, energia, processos de transformação, informação, representação e simulação e, finalmente, humanidades.

Numa estrutura voltada mais ao ensino do aprendizado do que à simples transferência de conhecimento, a universidade estabelece que o número de disciplinas obrigatórias não chegue a 50% do total. Cada estudante compõe livremente o resto de seu currículo, podendo fazê-lo de maneira diversificada ou focada, de acordo com seus interesses pessoais, mas estimulado por uma oferta de disciplinas que o convide a debruçar-se sobre as grandes questões do século 21, como meio ambiente, pobreza, energia, novas tecnologias e ciências da mente.