Características necessárias

As principais características desejáveis para a carreira são: a curiosidade, a motivação, o estudo, a persistência e a vocação. Muitos cientistas desenvolvem a curiosidade desde cedo. Brincar com animais, ver o que cada um tem de especial, se perguntar sobre as coisas a sua volta são atitudes naturais nas crianças. Pessoas próximas podem te motivar nesse sentido.

Enquanto o aluno ainda está no ensino médio, deve participar de feiras de ciências, assim como procurar profissionais da área e perguntar como é seu trabalho. Muitos cientistas concordam que em qualquer área é imprescindível ter certeza de que é aquilo que se deseja mesmo. O jovem que quer ser um cientista – em qualquer área – tem que ter interesse em aprender.

Na faculdade, procure um professor que tenha uma linha de pesquisa de seu interesse e entre logo para a iniciação científica. Quando houver a oportunidade faça um estágio, pois só assim terá certeza de que é isto que deseja. Vá a eventos sobre a área escolhida, desenvolva uma pequena pesquisa. Vivencie a profissão para ter certeza que é esse o caminho que escolheu seguir. É só experimentando que você vai saber.

Pense no futuro, onde se imagina daqui a dez anos. E o principal: escolha a profissão pelo que realmente lhe dá prazer. É preciso entender que, embora um cientista não fique rico nessa profissão, vale a pena seguir esse caminho, para quem gosta. Mais do que a ambição financeira, é importante encontrar no trabalho uma fonte de satisfação. Para isso, pense no que quer fazer e, com persistência, chegue lá. A carreira científica envolve relações com pesquisadores de outros países, o que traz muitas oportunidades de viagens pelo mundo afora, para congressos, palestras e desenvolvimento de projetos conjuntos. Ter facilidade para aprender línguas, portanto, é fundamental.

Fazer perguntas e procurar respondê-las é a motivação da ciência. E cada pergunta formulada gera várias outras, num ciclo muito estimulante e dinâmico.  Embora a intenção inicial do pesquisador seja chegar a um resultado, o que mais enriquece mesmo é o processo, o caminhar.

persistência também é fundamental. Em ciência, não se consegue atingir de cara o que se planeja. Apesar de os recursos para pesquisa científica terem aumentado muito no Brasil nos últimos anos, a competição ainda é grande. Outra característica desejável é a flexibilidade, a capacidade de adaptação a novas situações. Nessa área, os imprevistos acontecem a todo momento. E as mesmas incertezas que exigem flexibilidade também requerem capacidade de decisão. As mudanças recorrentes no ambiente de trabalho precisam ser controladas de alguma forma pelo cientista para garantir produtividade e dinâmica.

Também é preciso criatividade para resolver problemas práticos que surgem diariamente. Qualquer praga que venha surgir na plantação deve ser enfrentada prontamente. A velocidade com que o problema é contornado é extremamente importante, definindo perdas ou ganhos de produtividade. O senso prático é muito útil nessas circunstâncias.

Além disso, não dá pra fugir do estudo. Quanto mais a pessoa se aprofunda num assunto,  mais relações estabelece com outras áreas. Por isso, os conhecimentos básicos de física, química e matemática são fundamentais. Apesar de acontecer muitas vezes, o ideal não é esperar o problema para encontrar sua solução, mas antecipá-lo. Por isso, é importante ter o gosto pela pesquisa e o estudo. Na ciência nem tudo é novidade. Boas ideias podem surgir através da revisão da literatura, de coisas que já foram escritas, mas que foram esquecidas. Por isso que é necessário ter o prazer de se atualizar e de ler muito sobre o trabalho que os outros desenvolvem.

Devido ao fato de as ciências agrícolas se desenvolveram em ambientes marcados por sua particularidade geográfica, seu profissional deve ter gosto por atividades ao ar livre e pelo contato com a natureza. Principalmente se a intenção for atuar na área ecológica.

Como uma das funções do cientista agrário é prover técnicas para a otimização agrícola, é evidente a importância de haver o interesse em construir coisas. O raciocínio abstrato deve ser desenvolvido para pensar nas possíveis formas de solucionar os problemas enquanto o raciocínio espacial é necessário para conceber e adaptar a estrutura produtiva.