O que fazem

O que fascina e estimula o cientista é a possibilidade da descoberta cotidiana. Nas ciências agrárias, os pesquisadores lidam com atividades relacionadas à caracterização e às técnicas de uso dos vegetais e animais de interesse humano. Tais atividades dizem respeito a todos os tipos de manejo que incrementem a produção. Além disso, microrganismos (fungos, bactérias e vírus) também são muito usados como fertilizantes (bactérias fixadoras de nitrogênio, solubilizadores de fosfatos) e no controle biológico (baculovirus , fungos entomopatogênicos  etc).

Então, os cientistas agrários se sentem gratificados ao inventar e desenvolver insumos agrícolas ou técnicas de manejo que ajudem a proteger o meio ambiente e a saúde humana e animal.

 

Antigamente, as ciências agrárias focavam apenas – ou principalmente – a produtividade. Hoje isso mudou: tornou-se fundamental que a produção esteja em sintonia com a preservação do ambiente.

A silvicultura, por exemplo, atividade que consiste basicamente na plantação de árvores, ganhou destaque por ser a solução para áreas já desmatadas. Também passaram a ser valorizados os sistemas tradicionais de agricultura, característicos de populações pobres. Apesar de não terem interesse econômico e retorno financeiro imediato, essas culturas, muitas vezes, demonstram integração ecológica invejável e poderiam inspirar as modernas agriculturas industriais em modelos mais sustentáveis.

Além do viés econômico das carreiras em ciências agrárias, o aspecto social é importantíssimo. Atualmente, o principal desafio do cientista agrícola é conseguir atender a demandas de escala global, principalmente de países populosos e em ascensão, como é o caso da China, da Índia e do próprio Brasil. E devemos ter especial preocupação com esse aspecto, por ser a fome um dos nossos males mais antigos.

Nosso país tem um papel relevante tanto para suprir os estoques mundiais de alimentos, como para dar respostas na área ambiental. O Brasil não pode seguir a mesma rota de desenvolvimento dos países industrializados, que destruíram as suas florestas, geraram os gases do efeito estufa e têm suas economias baseadas na matriz energética do petróleo. Até porque, aqui temos plenas condições de manter uma produção agrícola sustentável e de reforçar a matriz energética limpa e renovável.

Controle biológico de pragas

Outro aspecto importante na relação do homem com o ambiente é a utilização de inseticidas. Atualmente, a contaminação de alimentos por agrotóxicos é um problema para toda a humanidade. O cientista agrário pode contribuir para contornar esse desafio através do desenvolvimento de bioinseticidas, que reduzem a utilização de produtos químicos.

Um exemplo disso é o baculovírus, extraído da própria lagarta que destrói as plantações de soja. Esse produto biológico foi desenvolvido por pesquisadores brasileiros. O problema é convencer os agricultores do uso desses bioprodutos, porque eles demoram mais a fazer efeito visível. Mas os centros de pesquisa do governo fazem contato com os pequenos produtores e os treinam para utilizar adequadamente os bioinseticidas, assim como a fazer o manejo integrado das pragas. Assim, podem evitar o uso excessivo de agrotóxicos, que provoca a contaminação do solo e das águas.

A pesquisa e o desenvolvimento de melhorias das culturas vegetais e das criações animais é um dos ramos das ciências agrárias. Tais pesquisas buscam incrementar as técnicas de produção como a irrigação, o insumo de nitrogênio, a transgenia e outras. Não é preciso saber de tudo: existe uma grande rede de colaboração com outras áreas de pesquisa científica, como as ciências da terra, as ciências químicas e as ciências biológicas.

Para otimizar a produtividade agrícola em termos quantitativos e qualitativos, ou seja, melhorar o produto e produzir mais, ele deverá, por exemplo, selecionar os grãos e animais resistentes à seca, descobrir pesticidas, desenvolver modelos de crescimento dos grãos e reproduzir culturas in vitro para experimentos.

Também é tarefa dos profissionais das ciências agrárias transformar os produtos primários – vegetais e animais – em produtos finais, prontos para o consumo. Cumprem tal tarefa encontrando meios de conservação, químicos ou físicos, como a utilização de conservantes e a pasteurização dos laticínios. Mas eles não trabalham apenas com alimentos: produtos de origem agrícola são importantes fontes de energia, como a cana-de-açúcar, e de fibras têxteis, como o algodão e o sisal, entre outros.

A maneira de armazenar os produtos de forma a conservar sua qualidade, assim como o seu transporte adequado, também são responsabilidade desses especialistas, que podem ser engenheiros agrônomos e interagir com engenheiros industriais, engenheiros de alimentos e engenheiros de produção, por exemplo. O profissional das ciências agrárias tem que conhecer bem todas as fases da produção.

O estudo e aplicação de novas tecnologias no agronegócio podem ser feitos por engenheiros de agronegócios, gestores de agronegócios e engenheiros de biossistemas. O objetivo geralmente é aumentar a produção, otimizar o armazenamento e o transporte e reduzir o gasto de energia. Para desempenhar bem todas essas atividades, conhecimentos na área de administração e gerenciamento são grandes diferenciais.

Veterinários também trabalham nessa área, controlando o padrão de qualidade dos produtos agrícolas exportados e também dos que chegam ao nosso país.

A prevenção e correção dos efeitos ambientais adversos também são atribuições do cientista agrário. Qualquer possibilidade de degradação das culturas deve ser prevista, com o fim de evitar eventuais desperdícios e antecipar biorremediações.

Este é outro aspecto de grande importância para manter a qualidade do solo e a produção agropecuária. O Brasil é um dos poucos países do mundo onde pode-se cultivar extensas áreas sem o uso de fertilizantes nitrogenados que, além de caros, são potenciais causadores de impacto ambiental. Toda soja cultivada no país é inoculada com bactérias capazes de fixar o nitrogênio da atmosfera, convertendo-o em proteínas nos grãos das leguminosas. Este grupo de bactérias é coletivamente conhecido por “rizóbios”. Estudos já bastante avançados apontam para o uso de outros microrganismos biofertilizadores da agricultura, os quais poderiam ser usados no cultivo de gramíneas (milho, arroz e cana de açúcar), que não formam simbiose com o rizóbio. O sucesso da adoção dessa tecnologia coloca o Brasil entre os países mais avançados e sustentáveis em termos de agricultura.