Áreas de atuação

Áreas de atuação

As Ciências Biológicas dividem-se em várias especialidades. Mas, antes de listá-las, é importante chamar a atenção para o fato de que essa forma de agrupar interesses é uma simplificação para facilitar a compreensão do todo. Na realidade, as fronteiras entre as disciplinas são muito fluidas e uma depende da outra. Portanto, a multidisciplinaridade é uma característica fundamental da área.

 

O estudo das bactérias é de grande importância para o homem por seus envolvimentos médicos. Algumas espécies de bactérias causam doenças graves, tais como a difteria e a febre tifóide. Mas outras são úteis! Certas bactérias, por exemplo, mantêm limpo o nosso meio ambiente, pois ajudam a decompor os organismos mortos.
Esta área aplica as teorias e os métodos da Física para resolver questões de Biologia, enxergando o ser vivo como um corpo que, ocupando lugar no espaço e transformando energia, interage com o ambiente.

A bioeletricidade é um exemplo de estudo nessa área. Várias partes do corpo humano e de outros seres vivos podem ser estudados enquanto sistemas físicos. Nossos neurônios, por exemplo, produzem impulsos nervosos, dos quais é possível medir as grandezas físicas, como voltagem, e fazer cálculos e estudos. O olho e o ouvido humanos também podem ser estudados fisicamente, através da óptica e da acústica. Esta área é do interesse de estudantes de Medicina, Odontologia, Enfermagem, Fisioterapia e Biomedicina, entre outros.

A Biologia Celular estuda as propriedades fisiológicas das células, bem como o seu comportamento, interação e ambiente, tanto ao nível microscópico como molecular. Ocupa-se tanto de organismos unicelulares, como as bactérias, como de células especializadas, como as dos humanos.

As células de todos os seres vivos recebem informações variadas e tem que dar diferentes respostas simultâneas. Por isso, o funcionamento e equilíbrio de uma célula são muito complexos e ainda há muito que se estudar.

Compreender a composição e o funcionamento das células é essencial para todas as Ciências Biológicas. Avaliar as semelhanças e as diferenças entre os tipos de células é particularmente importante, pois é a partir destas características fundamentais que surge um padrão unificador. O estabelecimento desse padrão permite que os princípios deduzidos a partir de um tipo de célula sejam extrapolados e generalizados para outros.

Um exemplo de pesquisa nessa área busca entender como duas enzimas responsáveis pela introdução de grupos de fosfato em proteínas – processo chamado de fosforilação e essencial para o metabolismo celular – podem interferir na divisão celular. Esse processo pode causar diversas alterações – desde disfunções no sono até o desenvolvimento de câncer. Entendê-lo permitirá, futuramente, regular essas enzimas e tratar esses problemas.

Essa área estuda o processo pelo qual os organismos crescem e se desenvolvem.

Antigamente, a Biologia do Desenvolvimento estudava apenas a Embriologia, mas hoje estuda o controle genético do crescimento, a diferenciação celular e a morfogênese, que é o processo que dá origem aos tecidos e órgãos. Envolve o estudo de células-tronco, que tem ganho muita atenção de várias comunidades científicas.

A Teoria da Evolução proposta por Darwin em seu livro “A origem das espécies” continua a ser modificada ainda hoje. Na Ciência não existe uma verdade absoluta: novas teses são propostas e algumas hipóteses anteriores são negadas e reafirmadas.

A Biologia Evolutiva é um campo de constantes transformações e de grande trabalho prático. As descobertas da Genética revolucionaram os estudos na área. Através da análise do DNA de fósseis e animais é possível determinar com mais facilidade hoje a origem de determinadas espécies ou “parentescos” entre diferentes espécies.

A investigação das origens dos seres vivos permite, além de satisfazer a curiosidade histórica humana, compreender aspectos do presente, desmistificar preconceitos e até mesmo fazer previsões futuras. A investigação da origem humana, seus deslocamentos pelos continentes e povoamento do planeta é um dos principais focos desta área e se aproxima muitas vezes das Ciências Sociais. Essa interação é chamada de Antropologia Molecular ou Biológica.

A Biologia Marinha trata da observação e análise dos ecossistemas marinhos – suas características físicas, químicas e biológicas. Procura identificar os efeitos de impactos causados pela natureza (naturais) e dos impactos causados pelo homem (antrópicos) sobre os organismos, possibilitando assim a verificação e a análise de anormalidades ambientais, para buscar sua correção, sempre que possível.

A pesca é a maior indústria extrativista do mundo. Só no Brasil, um milhão de pessoas dependem de um ambiente marinho saudável. Daí a importância de trabalhos que, por exemplo, planejem áreas protegidas para beneficiar a pesca. Assim, além do trabalho de pesquisa, os biólogos marinhos também atuam junto às populações locais, em prol de uma mudança de hábitos. Eles explicam que quanto mais os ambientes são preservados, mais resistentes aos impactos eles se tornam. A população local pode ver com os próprios olhos os resultados do trabalho de conservação e uso sustentável e, quando há resultado, há multiplicação dos procedimentos para outras comunidades.