O que é

As ciências sociais são um conjunto de disciplinas científicas que estudam os aspectos sociais das diversas realidades humanas. Em geral, são postas em contraste com as ciências naturais e exatas, já que essas podem ser avaliadas e quantificadas pelo método científico e na área social os métodos utilizados são outros.

Isso acontece porque nas ciências sociais se trabalha muito com o discurso, com as ideias das pessoas. Então a quantificação da informação é possível – existem várias técnicas de análise do discurso que transformam as ideias em dados numéricos -, mas de forma diferente das ciências da vida e das exatas. As ciências sociais também trabalham com pesquisas quantitativas e mesmo qualitativas, que envolvem números. Mas esses números surgem de maneira diferente, muitas vezes subjetiva.

As ciências sociais nos ajudam a “limpar a lente” para enxergarmos melhor as diferentes realidades com que convivemos. Elas têm como objeto de estudo tudo o que diz respeito às culturas humanas, sua história, suas realizações, seus modos de vida e seus comportamentos individuais e sociais. Elas ajudam a identificar e compreender os diferentes grupos sociais, contextualizando seus hábitos e costumes na estrutura de valores que rege cada um deles.

A divisão por áreas, no que diz respeito às ciências sociais e as ciências humanas, no entanto, é delicada. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), entidade que normatiza a educação superior no Brasil, coloca no grupo de “ciências sociais aplicadas” a administração, arquitetura, ciências contábeis, ciência da informação, comunicação, desenho industrial, demografia, direito, museologia, planejamento rural e urbano e serviço social, enquanto que nas “ciências humanas” inclui antropologia, arqueologia, ciência política, educação, filosofia, geografia, história, psicologia, sociologia e teologia. Essa divisão é recente e diferente da que é feita na maior parte das universidades.

Aqui, de início, vamos apresentar na área de ciências sociais a antropologia, as ciências políticas, a sociologia, a geografia, a história e a economia.

As Ciências Sociais, assim como as outras Ciências, tendem cada vez mais à interdisciplinaridade. Nas zonas de fronteira entre as disciplinas estão surgino nichos como a Ecologia Humana, a Geografia Humana, a Psicologia Social, a Sociologia Médica, entre outras. É a interdependência necessária e benéfica dos saberes.

Antigamente, a Filosofia, as Ciências e as Artes andavam juntas. Grandes nomes, como Sócrates e Leonardo da Vinci, se destacaram em pelo menos duas dessas áreas.

Com o advento do método científico, estabelecido no séc. XVII por René Descartes, os conhecimentos científicos passaram  ser considerados como tais desde que pudessem ser comprovados através de uma sequência de procedimentos, que envolve a identificação de um problema, a formulação de uma hipótese, a dedução lógica, a pesquisa e a experimentação, a elaboração de conclusões e a possibilidade de repetir essas experiências.

Com isso, a Filosofia perdeu espaço no rol das Ciências e foi preciso, ao longo do tempo, desenvolver  metodologias específicas de pesquisa para quantificar e qualificar dados associados às chamadas Ciências Humanas e Sociais. Como seu objeto de estudo são os seres humanos, existe uma questão ética evidente com relação às possibilidades de experimentação. E os estudos, muitas vezes, são subjetivos.

Os cientistas dessas áreas então trabalham construindo e analisando bases de dados que, quando bem interpretadas, podem produzir uma grande riqueza de informações. As análises dos resultados, contudo, podem ser feitas de maneiras diferentes, dependendo do conjunto de teorias e leis consideradas, o que gera diferentes correntes de pensamento dentro das Ciências Sociais. Mas todos os estudiosos da ára, independente de sua linha de pensamento, buscaram e buscam regras e métodos que caracterizem o status científico do conhecimento sobre a sociedade.

A principal questão das Ciências Sociais é a elaboração de métodos de pesquisa que garantam a “objetividade” dos resultados. Os objetos de estudo dessas Ciências são a sociedade e o ser humano, o que as diferencia muito das outras Ciências. Especialmente, porque esses objetos de estudo não se encaixam nos modelos de métodos utilizados para o estudo das outras ciências, pois não permitem a realização de experimentos em condições controladas de laboratório. Além disso, o objeto de estudo sempre interage com a cultura do sujeito que o analisa, sendo muito difícil haver uma real imparcialidade.

Por causa dessa particularidade dos objetos de análise, boa parte das Ciências Sociais não consegue estabelecer leis de alcance universal. Essa impossibilidade é chamada de relativismo. Cada lei estabelecida pelas Ciências Sociais é, assim, relativa a cada lugar e época. Essa questão leva a uma discussão sobre se o conhecimento é possível ou não, se a verdade da Ciência existe. O estudo filosófico da origem, natureza e limites do conhecimento é chamado de epistemologia.

Os estudiosos das Ciências Sociais são intelectuais com a responsabilidade de pesquisar, entender, comunicar e defender suas idéias perante a sociedade. E a comprensão dessa sociedade, baseada em análises profundas e precisas, é fundamental para que se possa planejar o presente e preparar o futuro.

A retomada do ensino de Filosofia e Sociologia no ensino médio revela um reconhecimento da parte do governo brasileiro e da sociedade de que os conhecimentos desenvolvidos nessas áreas são fundamentais na formação do cidadão.

A consciência mundial sobre os direitos humanos reforça a importância de estudos que possam contribuir, em todos os aspectos, para melhorar as relações entre os povos e, assim, a qualidade de vida de todos os indivíduos que habitam nosso planeta.