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O antropólogo estudou durante anos a sociologia das sociedades complexas.

 

Ela fez o mapeamento geopolítico da Amazônia Legal, mais da metade do nosso território.

 

Do ponto de vista de uma criança, Uta Frith explora a forma como o cérebro dá sentido à arte e discute a psicologia de como museus apoiam a aprendizagem e estimulam a criatividade.

Características necessárias

Nem todo mundo já sabe o que quer fazer quando crescer desde pequeno. Até porque, existem diversas áreas do conhecimento e, consequentemente, diversas carreiras que não são óbvias para uma criança, como as carreiras de médico, dentista e professor, por exemplo, presentes na vida da criança desde que ela se entende por gente…

As carreiras em ciências sociais, por exemplo, são desse tipo. Não é tão evidente para uma criança que existe alguém que estuda a organização social, os hábitos e costumes dos diferentes grupos, ou que outro alguém se dedica a pesquisar a música e as artes plásticas criadas por uma determinada comunidade, e ainda que outros estudem como determinado grupo de pessoas ocupam o espaço físico e se relacionam com o ambiente. Também não é evidente a uma criança que essas profissões são tão importantes e necessárias para a humanidade como os médicos e dentistas.

Quem escolhe seguir esse caminho tem que gostar de ler e se interessar por questões reflexivas, intelectuais. Gostar de conhecer a história do mundo, as histórias dos diferentes povos e as diferentes culturas, ter curiosidade sobre como funciona sua vida social, se interessar em observar grupos sociais e entender os  fatores que o configuram, ter facilidade de associar ideias. Gostar de viajar e ter oportunidade de fazê-lo ajuda, porque viagens são grandes oportunidades de entrar em contato com hábitos e costumes diferentes.

O interesse em fazer contato com cientistas da área também é importante, porque se pode esclarecer as dúvidas e ver por conta própria como é o dia a dia deles.

Também tem que estar por dentro do que está acontecendo no mundo e ser capaz de associar as novidades a outras manifestações sociais, ocorridas em outros locais e em outras épocas. O cientista social deve procurar estar sempre atualizado, lendo jornais e revistas de interesse geral ou especializadas, procurando novas obras lançadas em sua área, frequentando seminários e congressos. E conhecer os clássicos, é claro. É preciso ter a mente aberta, sem se preocupar em ter opiniões pré-concebidas para tudo.

Para quem quer fazer licenciatura na área – ou seja, ser professor – é importante ser extrovertido e bom comunicador, pois a linguagem é a sua ferramenta de trabalho. Muita dedicação e muito estudo, com profundidade e abrangência. Isso é fundamental.

Além da linguagem verbal, cientistas sociais precisam dominar outras linguagenstambém. O interesse pelas artes plásticas, ou seja, pela pintura, desenho, escultura e outras é importante, porque a linguagem visual “fala” muito sobre os diferentes grupos sociais.  A música, a gastronomia, a moda, os valores morais, os valores sociais e o dinheiro – todos esses elementos de uma cultura são significativos e interessantes para pesquisadores das ciências sociais.

A habilidade em interpretar dados, ter capacidade de concentraçãoexatidão e ser meticuloso são também características importantes para esses profissionais. E essenciais, sem dúvida são a capacidade de análise – ou seja, de “desconstruir” as informações e os conhecimentos para ver do que eles são feitos, o que é importante na sua estrutura – e a capacidade de síntese – isto é, saber identificar o que é significativo numa experiência, numa vivência, numa informação ou num conhecimento e, assim, resumi-los com facilidade.

Áreas de atuação

A licenciatura (ensino) é o principal mercado para os cientistas sociais. Pode-se dar aulas no ensino médio e universitário. Com a obrigação de as escolas oferecerem aulas de sociologia e filosofia, 15 mil vagas de emprego foram criadas. Mas além da licenciatura, o aluno também pode se graduar em bacharelado e se dedicar à pesquisa.

Nas décadas de 1960 e 1970, a carreira de cientista social era uma das mais procuradas nas universidades, o que já não ocorre hoje. Os profissionais dessas ciências podem atuar em entidades de classe e sindicatos, órgãos de pesquisa socioeconômica, museus, órgãos da administração pública, bancos de desenvolvimento e órgãos de previdência. O mercado editorial é uma opção, assim como o setor de pesquisa de opinião pública. Empresas privadas também contratam profissionais da área para atuar nos departamentos de marketing e recursos humanos. Em épocas de eleição surgem boas chances de trabalho na área de consultoria para partidos políticos.

Há três áreas principais para especialização: a antropologia, a sociologia e a ciência política. A antropologia estuda as diferentes sociedades sob o aspecto cultural e do comportamento humano: estrutura familiar, religião, língua, folclore, costumes e manifestações artísticas. A sociologia analisa as relações sociais entre os indivíduos: investiga a origem, o desenvolvimento e o funcionamento das instituições. Finalmente, a ciência política pesquisa a sociedade do ponto de vista do poder político: trabalha com questões ligadas à opinião pública, ideologias e legislações, estuda a origem e o funcionamento dos sistemas de governo, das instituições e dos partidos políticos.

Além dessas áreas, termos a economia, a história e a geografia.

A antropologia tem como objeto de estudo o homem em suas múltiplas relações. Estuda nossas respostas perante o ambiente, nossas relações interpessoais e as contextualiza na época em que se desenvolvem. Estuda o homem ou a humanidade em suas generalidades e particularidades. Ela postula que nada que é humano é inerente à sua natureza, ou seja, se alguns indivíduos ou grupos fazem tal ou tal coisa é sempre por causa de sua cultura. Não existiriam características dadas de antemão que os homens sempre tiveram e terão.

A cultura, assim como o polegar opositor, é algo que nos diferencia dos demais seres. E o objeto da análise antropológica é a cultura ou a civilização, entendida como um todo complexo que inclui as crenças, a arte, a moral, o direito, os costumes e quaisquer outros hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade. Essa proposta de objeto de estudo marcou todas as correntes da antropologia e está presente em todas elas, mesmo que algumas a tomem como contraponto.

Foi a primeira ciência que introduziu o trabalho de campo e surgiu originalmente nos relatos de viajantes e missionários. Há quem considere a famosa Carta de Pero Vaz de Caminha como o primeiro trabalho antropológico feito no Brasil.

A gama de possibilidades de linhas de pesquisa na antropologia é imensa. Alguns pesquisadores se interessam pelos grupos de imigrantes brasileiros em Portugal, por exemplo. Essas pesquisas mostram diferentes representações do brasileiro em Portugal, uma positiva e uma negativa. A primeira valoriza a nossa cultura e as festas nacionais, e refere-se aos imigrantes dos anos de 1980, que tinham um bom padrão de escolaridade e nível social. Já a segunda surgiu recentemente, com a onda migratória dos anos 2000, com características distintas e marcada por passagens curtas, com o objetivo apenas de juntar dinheiro e voltar, ao invés de estabelecer uma vida em outro país.

Outro exemplo de pesquisa se refere às conexões políticas na cidade do Rio de Janeiro, estudando candidatos eleitos em 2004 e 2008. Constatou-se que quase 50% dos parlamentares eleitos mantinham centros sociais, principalmente em áreas mais pobres da cidade, onde a população tem menos recursos. Os parlamentares que mantêm estes centros sociais costumam ter 80% de sucesso eleitoral.

Um tema que mobiliza diversos antropólogos é a Amazônia, por sua importância e urgência no contexto das mudanças climáticas. Qual o papel das populações amazônicas nesse processo de desenvolvimento regional sustentável? Que populações são essas? Quais os efeitos do modelo atual de desenvolvimento sobre esses grupos sociais? A esse tipo de pergunta é que os antropólogos procuram responder.

A Ciência política abrange diversos campos, como a teoria e a filosofia políticas, os sistemas políticos, ideologia, teoria dos jogos, economia política, geopolítica, geografia política, análise de políticas públicas, política comparada, relações internacionais, análise de relações exteriores, política e direito internacionais, estudos de administração pública e governo, processo legislativo, direito público, entre outros.

Os cientistas políticos podem estudar instituições como corporações, empresas, uniões, sindicatos, igrejas ou outras organizações cujas estruturas e processos de ação se aproximem de um governo, em termos de complexidade e interconexão.

Existe no interior da ciência política uma discussão acerca do objeto de estudo desta ciência. Para alguns, é o estado, para outros, o poder. A primeira posição restringe o objeto de estudo, enquanto a segunda amplia.

É a ciência social que estuda a produção, distribuição e consumo de bens e serviços. O economista é o profissional do desenvolvimento, ele é responsável por criar, administrar e aumentar riquezas. Riquezas, no caso, não significa apenas os bens materiais. Entende-se por riqueza também o desenvolvimento de um país e a qualidade de vida da população.

O economista, quando bem formado, tem domínio do raciocínio lógico e das humanidades. O profissional tem que ter o domínio de áreas desde a sociologia, a geopolítica, a filosofia e a política econômica até a matemática e a estatística, e tem que estar atento à realidade social e política. Ela é, portanto, uma carreira multidisciplinar.

As pesquisas dentro da economia podem abordar muitos aspectos. Na área de economia da população pode-se estudar a demografia econômica. Os pesquisadores procuram analisar de que forma uma mudança na saúde da população afeta outras dimensões do comportamento social. Com a redução do tamanho típico das famílias brasileiras, o nível educacional foi ampliado e o perfil etário da população brasileira foi se modificando. Esse estudo é importante, por exemplo, para o planejamento de políticas relacionadas às aposentadorias e à educação, já que o fato de existir uma parcela menor de crianças torna o momento oportuno para investir de forma efetiva na qualidade do ensino básico brasileiro.

O principal objeto de estudo do geógrafo é a interação homem-natureza. Ou seja, como o solo, o relevo, o clima, a distribuição das águas e a vegetação interferem na vida de uma sociedade e como a ação do homem interfere na natureza.

Dentro da geografia, é possível trabalhar na área de ensino, cartografia, ecoturismo, planejamento agrícola e urbano, geopolítica, geoprocessamento e sensoriamento remoto. Na área da pesquisa, o trabalho de campo é muitas vezes necessário e exige que o pesquisador se desloque ou viaje para áreas distantes, em situações ocasionalmente com infraestrutura precária.

É através da pesquisa de documentos, como manuscritos, impressos, gravações, filmes, objetos e fotos, que o historiador busca compreender uma determinada época em seus diversos aspectos: economia, sociedade, cultura, ideias e cotidiano. O papel do historiador é decisivo na escrita da história, os dados podem ser analisados com diferentes enfoques e a postura crítica do historiador é essencial.

O profissional da área pode trabalhar no ensino, na pesquisa e na conservação do patrimônio. Essas pesquisas podem ser feitas tanto para instituições públicas, como museus e universidades, quanto para instituições particulares, por exemplo, uma empresa que busque investigar melhor seu passado ou um escritor ou cineasta que queiram dar mais realidade histórica a um livro ou filme.

A sociologia tenta explicar os fenômenos sociais, analisando os homens em suas relações de interdependência. Estuda as unidades que formam a sociedade, ou seja, estuda o comportamento humano em função do meio e os processos que interligam os indivíduos em associações, grupos e instituições.

Cobrindo todas as áreas do convívio humano – desde as relações na família até a organização das grandes empresas, o papel da política na sociedade ou o comportamento religioso -, os resultados da pesquisa sociológica geralmente  interessam a diversas outras áreas do saber. Entretanto, o maior interessado na produção e sistematização do conhecimento sociológico atualmente é o estado, normalmente o principal financiador da pesquisa desta disciplina científica.

O conhecimento sociológico, através dos seus conceitos, teorias e métodos, pode constituir um excelente instrumento de compreensão das situações com que se defrontam as pessoas na vida cotidiana, das suas múltiplas relações sociais e, conseqüentemente, de si mesmas como seres inevitavelmente sociais.

Pesquisa

Raças e mobilidade social no Brasil

Essa pesquisa busca analisar o que condiciona mais essa mobilidade social: a raça ou a classe social.

Entende-se por mobilidade social as oportunidades que são dadas a um indivíduo para subir de classe. Existem dois tipos de desigualdade em uma sociedade: a desigualdade de condições e a de oportunidades. A primeira é aceitável, pois sempre haverá profissões que são mais valorizadas que outras. Mas a desigualdade de oportunidades diz respeito à diferença de chances encontradas por pessoas vindas de diferentes classes sociais. Esta desigualdade de oportunidades, gritante no Brasil, é condenável. O filho de um faxineiro e o de um cientista sênior deveriam ter as mesmas chances de se tornarem um cientista sênior.

A pesquisa demonstrou que nas classes sociais mais baixas, o fator racial não é relevante na hora da obtenção de um emprego. Porém, nas classes sociais mais altas, foi constatado que os negros encontram mais dificuldades em serem incorporados às empresas. O mesmo ocorre quando se observa o acesso à educação: quanto mais alto o nível de estudos, mais o fator racial se torna relevante. Isto sugere que as teorias de estratificação por raça e classe no Brasil devem ser repensadas, levando em consideração essas interações observadas entre classe e raça.

Responsividade e controle social na administração pública brasileira

Algumas vezes, a sociologia também pode se associar a outros ramos de atividade, como a administração. A pesquisa a seguir tratou da administração pública brasileira. Nela, foram analisados os processos de democratização e as tentativas recentes de tornar os governos mais transparentes. Seu assunto principal é a responsabilização e o controle social na administração pública brasileira.

Um governo democrático deve ser responsivo, ou seja, atender às demandas da população. Para que isso ocorra, é necessária a criação de formas de controle e fiscalização dos governos. A maior delas é o voto, que permite a aprovação ou não de determinadas políticas pela população.

Outras práticas que vêm sendo implementadas no Brasil após a Constituição de 1988 são a disposição de dados públicos na internet, a maior participação de setores da sociedade na tomada de decisões através de conferências nacionais, de um maior número de audiências públicas, de uma maior disseminação das audiências públicas e até mesmo da criação de orçamentos participativos em algumas cidades. O melhor exemplo desse caso é a cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

No Brasil, entretanto, ainda há uma diferença entre as decisões tomadas pela sociedade e sua aplicação pelo Congresso. Isso se dá porque os órgãos que planejam, executam e controlam as políticas públicas não são os mesmos e falta profissionalismo na administração pública. Deste modo, um político que não atender a uma demanda da população corre pouco risco de ser penalizado. E isso é o que mais se tem visto nos noticiários.

O que fazem

O cientista social estuda principalmente as relações entre os indivíduos e os grupos sociais, suas origens, evolução, estrutura e funcionamento. Na sociedade contemporânea, busca entender o planejamento das sociedades nos níveis nacional, regional, estadual e municipal. As relações entre as diferentes nações, tanto no aspecto político como no econômico e social, também são foco desses cientistas.

Com base em pesquisas e observações, analisam hábitos, costumes, características religiosas, relações familiares, organização institucional e econômica dos diversos grupos sociais. Estudam fenômenos como migrações, conflitos sociais, ocupação do espaço rural e urbano e movimentos políticos. Tais conhecimentos podem ser aplicados na solução de problemas nas áreas de educação, saúde, ambiente, violência, entre outros.

A pesquisa científica é a base do trabalho do cientista social. Estes profissionais podem atuar como pesquisadores, professores universitários, professores do ensino básico, críticos, assessores de empresas e em projetos de urbanização. Suas atividades são baseadas em muita leitura e redação de artigos e estudos, além da participação em fóruns sociais, congressos e eventos.

Como professores universitários, podem lecionar nos cursos específicos de ciências sociais e também nos de economia, psicologia, educação, história, comunicação social, entre outros. Para tanto, precisam concluir mestrado e doutorado. Obtendo esse nível de formação, poderão também orientar alunos em suas dissertações e teses de pós-graduação. No ambiente acadêmico desenvolvem suas pesquisas, a partir das quais escrevem artigos e os publicam em revistas especializadas e na mídia em geral. Também podem publicar livros ou capítulos de livros. Seus artigos podem abordar vários assuntos, como arte, cultura, política e economia.

Esses profissionais são também procurados para a elaboração de análises sociais para órgãos públicos, empresas privadas, sindicatos, partidos políticos e organizações não governamentais. Também podem elaborar projetos de planejamento urbano e de desenvolvimento para uma região. Empresas de pesquisa e agências publicitárias os contratam para realizarem pesquisas de mercado. Políticos também os empregam para prestarem consultoria, com base em entrevistas com eleitores.

O que é

As ciências sociais são um conjunto de disciplinas científicas que estudam os aspectos sociais das diversas realidades humanas. Em geral, são postas em contraste com as ciências naturais e exatas, já que essas podem ser avaliadas e quantificadas pelo método científico e na área social os métodos utilizados são outros.

Isso acontece porque nas ciências sociais se trabalha muito com o discurso, com as ideias das pessoas. Então a quantificação da informação é possível – existem várias técnicas de análise do discurso que transformam as ideias em dados numéricos -, mas de forma diferente das ciências da vida e das exatas. As ciências sociais também trabalham com pesquisas quantitativas e mesmo qualitativas, que envolvem números. Mas esses números surgem de maneira diferente, muitas vezes subjetiva.

As ciências sociais nos ajudam a “limpar a lente” para enxergarmos melhor as diferentes realidades com que convivemos. Elas têm como objeto de estudo tudo o que diz respeito às culturas humanas, sua história, suas realizações, seus modos de vida e seus comportamentos individuais e sociais. Elas ajudam a identificar e compreender os diferentes grupos sociais, contextualizando seus hábitos e costumes na estrutura de valores que rege cada um deles.

A divisão por áreas, no que diz respeito às ciências sociais e as ciências humanas, no entanto, é delicada. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), entidade que normatiza a educação superior no Brasil, coloca no grupo de “ciências sociais aplicadas” a administração, arquitetura, ciências contábeis, ciência da informação, comunicação, desenho industrial, demografia, direito, museologia, planejamento rural e urbano e serviço social, enquanto que nas “ciências humanas” inclui antropologia, arqueologia, ciência política, educação, filosofia, geografia, história, psicologia, sociologia e teologia. Essa divisão é recente e diferente da que é feita na maior parte das universidades.

Aqui, de início, vamos apresentar na área de ciências sociais a antropologia, as ciências políticas, a sociologia, a geografia, a história e a economia.

As Ciências Sociais, assim como as outras Ciências, tendem cada vez mais à interdisciplinaridade. Nas zonas de fronteira entre as disciplinas estão surgino nichos como a Ecologia Humana, a Geografia Humana, a Psicologia Social, a Sociologia Médica, entre outras. É a interdependência necessária e benéfica dos saberes.

Antigamente, a Filosofia, as Ciências e as Artes andavam juntas. Grandes nomes, como Sócrates e Leonardo da Vinci, se destacaram em pelo menos duas dessas áreas.

Com o advento do método científico, estabelecido no séc. XVII por René Descartes, os conhecimentos científicos passaram  ser considerados como tais desde que pudessem ser comprovados através de uma sequência de procedimentos, que envolve a identificação de um problema, a formulação de uma hipótese, a dedução lógica, a pesquisa e a experimentação, a elaboração de conclusões e a possibilidade de repetir essas experiências.

Com isso, a Filosofia perdeu espaço no rol das Ciências e foi preciso, ao longo do tempo, desenvolver  metodologias específicas de pesquisa para quantificar e qualificar dados associados às chamadas Ciências Humanas e Sociais. Como seu objeto de estudo são os seres humanos, existe uma questão ética evidente com relação às possibilidades de experimentação. E os estudos, muitas vezes, são subjetivos.

Os cientistas dessas áreas então trabalham construindo e analisando bases de dados que, quando bem interpretadas, podem produzir uma grande riqueza de informações. As análises dos resultados, contudo, podem ser feitas de maneiras diferentes, dependendo do conjunto de teorias e leis consideradas, o que gera diferentes correntes de pensamento dentro das Ciências Sociais. Mas todos os estudiosos da ára, independente de sua linha de pensamento, buscaram e buscam regras e métodos que caracterizem o status científico do conhecimento sobre a sociedade.

A principal questão das Ciências Sociais é a elaboração de métodos de pesquisa que garantam a “objetividade” dos resultados. Os objetos de estudo dessas Ciências são a sociedade e o ser humano, o que as diferencia muito das outras Ciências. Especialmente, porque esses objetos de estudo não se encaixam nos modelos de métodos utilizados para o estudo das outras ciências, pois não permitem a realização de experimentos em condições controladas de laboratório. Além disso, o objeto de estudo sempre interage com a cultura do sujeito que o analisa, sendo muito difícil haver uma real imparcialidade.

Por causa dessa particularidade dos objetos de análise, boa parte das Ciências Sociais não consegue estabelecer leis de alcance universal. Essa impossibilidade é chamada de relativismo. Cada lei estabelecida pelas Ciências Sociais é, assim, relativa a cada lugar e época. Essa questão leva a uma discussão sobre se o conhecimento é possível ou não, se a verdade da Ciência existe. O estudo filosófico da origem, natureza e limites do conhecimento é chamado de epistemologia.

Os estudiosos das Ciências Sociais são intelectuais com a responsabilidade de pesquisar, entender, comunicar e defender suas idéias perante a sociedade. E a comprensão dessa sociedade, baseada em análises profundas e precisas, é fundamental para que se possa planejar o presente e preparar o futuro.

A retomada do ensino de Filosofia e Sociologia no ensino médio revela um reconhecimento da parte do governo brasileiro e da sociedade de que os conhecimentos desenvolvidos nessas áreas são fundamentais na formação do cidadão.

A consciência mundial sobre os direitos humanos reforça a importância de estudos que possam contribuir, em todos os aspectos, para melhorar as relações entre os povos e, assim, a qualidade de vida de todos os indivíduos que habitam nosso planeta.