Características necessárias

As principais características desejáveis para a carreira são: a curiosidade, a motivação, o estudo, a persistência e a vocação. Muitos cientistas desenvolvem a curiosidade desde cedo. Brincar com animais, ver o que cada um tem de especial, se perguntar sobre as coisas a sua volta são atitudes naturais nas crianças. Pessoas próximas podem te motivar nesse sentido.

Enquanto o aluno ainda está no ensino médio, deve participar de feiras de ciências, assim como procurar profissionais da área e perguntar como é seu trabalho. Muitos cientistas concordam que em qualquer área é imprescindível ter certeza de que é aquilo que se deseja mesmo. O jovem que quer ser um cientista – em qualquer área – tem que ter interesse em aprender.

Na faculdade, procure um professor que tenha uma linha de pesquisa de seu interesse e entre logo para a iniciação científica. Quando houver a oportunidade faça um estágio, pois só assim terá certeza de que é isto que deseja. Vá a eventos sobre a área escolhida, desenvolva uma pequena pesquisa. Vivencie a profissão para ter certeza que é esse o caminho que escolheu seguir. É só experimentando que você vai saber.

Pense no futuro, onde se imagina daqui a dez anos. E o principal: escolha a profissão pelo que realmente lhe dá prazer. É preciso entender que, embora um cientista não fique rico nessa profissão, vale a pena seguir esse caminho, para quem gosta. Mais do que a ambição financeira, é importante encontrar no trabalho uma fonte de satisfação. Para isso, pense no que quer fazer e, com persistência, chegue lá. A carreira científica envolve relações com pesquisadores de outros países, o que traz muitas oportunidades de viagens pelo mundo afora, para congressos, palestras e desenvolvimento de projetos conjuntos. Ter facilidade para aprender línguas, portanto, é fundamental.

Fazer perguntas e procurar respondê-las é a motivação da ciência. E cada pergunta formulada gera várias outras, num ciclo muito estimulante e dinâmico.  Embora a intenção inicial do pesquisador seja chegar a um resultado, o que mais enriquece mesmo é o processo, o caminhar.

persistência também é fundamental. Em ciência, não se consegue atingir de cara o que se planeja. Apesar de os recursos para pesquisa científica terem aumentado muito no Brasil nos últimos anos, a competição ainda é grande. Outra característica desejável é a flexibilidade, a capacidade de adaptação a novas situações. Nessa área, os imprevistos acontecem a todo momento. E as mesmas incertezas que exigem flexibilidade também requerem capacidade de decisão. As mudanças recorrentes no ambiente de trabalho precisam ser controladas de alguma forma pelo cientista para garantir produtividade e dinâmica.

Também é preciso criatividade para resolver problemas práticos que surgem diariamente. Qualquer praga que venha surgir na plantação deve ser enfrentada prontamente. A velocidade com que o problema é contornado é extremamente importante, definindo perdas ou ganhos de produtividade. O senso prático é muito útil nessas circunstâncias.

Além disso, não dá pra fugir do estudo. Quanto mais a pessoa se aprofunda num assunto,  mais relações estabelece com outras áreas. Por isso, os conhecimentos básicos de física, química e matemática são fundamentais. Apesar de acontecer muitas vezes, o ideal não é esperar o problema para encontrar sua solução, mas antecipá-lo. Por isso, é importante ter o gosto pela pesquisa e o estudo. Na ciência nem tudo é novidade. Boas ideias podem surgir através da revisão da literatura, de coisas que já foram escritas, mas que foram esquecidas. Por isso que é necessário ter o prazer de se atualizar e de ler muito sobre o trabalho que os outros desenvolvem.

Devido ao fato de as ciências agrícolas se desenvolveram em ambientes marcados por sua particularidade geográfica, seu profissional deve ter gosto por atividades ao ar livre e pelo contato com a natureza. Principalmente se a intenção for atuar na área ecológica.

Como uma das funções do cientista agrário é prover técnicas para a otimização agrícola, é evidente a importância de haver o interesse em construir coisas. O raciocínio abstrato deve ser desenvolvido para pensar nas possíveis formas de solucionar os problemas enquanto o raciocínio espacial é necessário para conceber e adaptar a estrutura produtiva.

Saiba mais

Instituto Agronômico de Campinas foi fundado em 1887 por D. Pedro II e visa garantir a oferta de alimentos à população e matéria-prima à indústria.

 

A missão da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária é viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da agricultura.

 

Embrapa Informação Tecnológica desempenha sua missão para ser referência nacional e internacional em gestão e em difusão de informações.

 

Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia se empenha na preservação de espécies vegetais, animais e de microrganismos, visando garantir e aumentar a variabilidade genética e a diversidade de alimentos para as futuras gerações.

 

Embrapa Agrobiologia tem seus principais focos de pesquisa no processo de fixação biológica de nitrogênio e na agricultura orgânica.

 

Embrapa Monitoramento por Satélite é um centro temático com foco em pesquisas e inovações geoespaciais para a agricultura.

 

Embrapa Solos busca viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação em solos e sua interação com o ambiente, para a sustentabilidade da agricultura tropical.

 

A missão estabelecida pela Embrapa Agroenergia é a de viabilizar soluções tecnológicas inovadoras para o desenvolvimento sustentável e equitativo do negócio da agroenergia do Brasil.

 

A missão da Embrapa Instrumentação é viabilizar soluções sustentáveis de pesquisa, desenvolvimento e inovação em instrumentação para benefício da sociedade brasileira.

Áreas de atuação

As áreas de atuação das ciências agrárias abrangem todos os aspectos da exploração da terra, dos cultivos vegetais e da criação animal. O profissional pode trabalhar em empresas, universidades e órgãos públicos. Pode haver também interação entre universidades e empresas: há diversos casos em que essas interações são bem sucedidas, mostrando que um trabalho feito na universidade pode se transformar num projeto de geração de valor para sociedade, através da criação de empresas que, por exemplo, possam contribuir para o aumento da produtividade e sustentabilidade agrícola. Existem muitas áreas promissoras no Brasil, como a biotecnologia, a aquacultura e piscicultura, silvicultura, bioenergia e alimentos.

A área dos biocombustíveis é promissora. O Brasil possui a vantagem de ser líder na tecnologia de produção do etanol a partir da cana-de-açúcar. Se o mundo passar a utilizar etanol misturado à gasolina no percentual padrão, isso representará uma quantidade de etanol três vezes maior do que é produzida hoje no mundo, o que geraria uma demanda imensa.

As ciências agrárias são multidisciplinares e aproveitam os conhecimentos de outras áreas, como a tecnologia da informação e comunicação, engenharia genética, genômica e proteômica, ecologia e climatologia, para aprimorar seus métodos. Com a valorização dos cuidados com o meio ambiente e o destaque dado aos procedimentos ecologicamente corretos, as possibilidades nas ciências agrárias se ampliaram muito, fazendo com que haja inúmeras opções de carreira. Isso praticamente garante que um jovem interessado na preservação do ambiente se entusiasme por alguma dessas áreas. O que costuma acontecer, atualmente, é que o estudante gosta de tanta coisa que não sabe o que escolher… então, deve pesquisar mais!

O surgimento da agroecologia coincide com uma maior preocupação da sociedade com a preservação dos recursos naturais. Recentemente, vem ganhando evidência a discussão sobre uma agricultura sustentável, que garanta a preservação do solo, dos recursos hídricos, da vida silvestre e dos ecossistemas naturais e que, ao mesmo tempo, garanta a segurança alimentar.

Outra questão importante levantada nessa área é a integração harmônica de conceitos das ciências naturais com os das ciências sociais. Integração essa que permite nosso entendimento acerca da agroecologia como ciência dedicada ao estudo das relações produtivas entre homem-natureza, visando sempre à sustentabilidade ecológica, econômica, social, cultural, política e ética.

A proposta agroecológica para sistemas de produção agropecuária impõe certas diretrizes ao agronegócio, por condenar a produção centrada na monocultura, na dependência de insumos químicos e na alta mecanização, além da concentração de terras produtivas, a exploração do trabalhador rural e o consumo não local da respectiva produção.

As práticas agroecológicas se baseiam na pequena propriedade, na mão de obra familiar, em sistemas produtivos complexos e diversos, adaptados às condições locais e em redes regionais de produção e distribuição de alimentos. Ou seja, as práticas agroecológicas podem ser vistas como práticas de resistência da agricultura familiar ao processo de exclusão do meio rural e homogeneização das paisagens de cultivo. É uma abordagem da agricultura que se baseia nas dinâmicas da natureza. Dentro delas, destaca-se a sucessão natural, a qual permite que se restaure a fertilidade do solo sem o uso de fertilizantes minerais e que se cultive sem uso de agrotóxicos. Envolve a agricultura orgânica, a biodinâmica natural, a agrofloresta, a permacultura, entre outros temas.

Agronomia

As pesquisas agronômicas, mais que as de outros campos, estão fortemente relacionadas ao local em que são realizadas. Fato semelhante ocorre com as técnicas derivadas dessas pesquisas. Assim, esse campo pode ser considerado uma ciência de ecorregiões, porque está ligada a características locais de solo e clima que nunca são exatamente iguais nos diferentes lugares geográficos.

Os sistemas agrícolas de produção devem levar em conta características como clima, local, solo e variedades de plantas e animais de produção que precisam ser estudados em nível local. Alguns pesquiadores consideram necessário entender os sistemas de produção de uma forma generalizada, de maneira que o conhecimento obtido possa ser aplicado ao maior número de locais possíveis. A Agronomia se integra às atividades rurais, abarcando horticultura, zootecnia, engenharia rural, economia agrícola, sociologia rural, antropologia rural, ecologia agrícola, etc.

Muitos cientistas proeminentes que atuam na área têm procurado entender como é possível tratar melhor o solo, de modo que ele não emita tantos gases de efeito estufa, preservando a biodiversidade e o sistema nativo. Nesse sentido, eles buscam atuar nas questões ambientais e encontram essa possibilidade na agronomia.

Alguns cientistas consideram que toda a questão das mudanças climáticas globais tem origem no processo de mudança dos sistemas nativos para os sistemas agrícolas, que seria uma das principais causas do aquecimento global, desde os tempos da industrialização europeia. Há linhas de pesquisa sobre a gênese do solo: como ele se originou, como evoluiu e como o clima influencia os solos no Brasil. Em uma dessas pesquisas, descobriu-se que ao desmatar uma área implantando uma cultura artificial, ocorre transferência de CO2 (gás carbônico) da atmosfera para o solo. A pesquisa evoluiu para a análise da Amazônia brasileira e para outros ecossistemas como o cerrado, a caatinga e os pampas, dando origem a diversos trabalhos científicos publicados no Brasil e no exterior.

Temos que aprender com os erros de outros países, não fazendo o mesmo, conservando o carbono no solo para que ele não vá para a atmosfera e cause o aquecimento global, mudando os ecossistemas. Essa mudança traz diversos problemas para a saúde humana e para a distribuição de água, por exemplo. Há otimismo quanto às perspectivas no Brasil, mas é importante saber que os avanços científicos não cairão do céu. Cada cientista deve fazer sua parte, estudando muito para desenvolver tecnologias adequadas a cada ecorregião.

Aquacultura

Aquacultura ou aquicultura é o cultivo de organismos aquáticos, incluindo peixes, moluscos, crustáceos, anfíbios e plantas aquáticas para uso do homem. Já a maricultura refere-se especificamente à aquicultura marinha, enquanto a piscicultura refere-se ao cultivo de peixes, principalmente os de água doce. A carcinicultura, por sua vez, é a criação de camarões.

No Brasil, a maior parte das atividades relacionadas ocorre em propriedades rurais comuns. Na maioria, essas fazendas são dotadas de açudes ou represas.

A atividade agropecuária normal de uma fazenda produz quantidades variáveis de subprodutos que, de maneira geral, não são aproveitados, embora tenham potencial para ser transformados em proteínas que os peixes em cativeiro aproveitam integralmente.

Utilizando pouca mão de obra, a piscicultura nos açudes e represas não conflita com as demais atividades desenvolvidas numa fazenda. Pelo contrário, é um complemento muito proveitoso, dado que tem a característica básica de reciclar subprodutos e resíduos, transformando-os em proteína animal.

No Brasil, as espécies de valor comercial não se reproduzem em tanques. São as chamadas espécies de piracema, que dependem da injeção de hormônios naturais e sintéticos para a reprodução. Essa técnica, antiga e descoberta por brasileiros, tem se popularizado rapidamente.

O desenvolvimento da piscicultura brasileira teve por base as espécies exóticas que se reproduzem em tanques e permitem o cultivo controlado. A migração da base de produção para as espécies de piracema é relativamente recente, sendo posterior à década de 1970.

A inserção de espécies de peixes carnívoras é benéfica para melhorar a qualidade do peixe obtido, que cresce mais em menos tempo. No entanto, a inserção deve ser feita com muito cuidado, pois pode causar sérios problemas ecológicos caso haja fugas das espécies carnívoras para os rios locais.

A adubação das águas é um dos aspectos mais importantes da criação de peixes em cativeiro. Pode ser feito de várias maneiras. Se for possível, as águas usadas para lavar estábulos e pocilgas devem ser levadas para os açudes, desde que não causem poluição do meio aquático por excesso de volume.

Sua presença em pequenas quantidades propiciará o incremento da produção natural de plâncton (microrganismos que vivem no ambiente aquático). Além de fertilizarem a água, os estercos são também diretamente ingeridos pelos peixes. De uma maneira geral, pode-se usar o esterco de curral na proporção de duas toneladas por hectare, duas vezes ao ano.

Portanto, as propriedades agrícolas providas de açudes apresentam um potencial bastante grande para a produção perene de peixe de alta qualidade e a baixo custo.

Biotecnologia

A Biotecnologia é um dos campos em que a pesquisa científica tem tido mais avanços. Combina genética, biologia molecular, bioquímica, embriologia e biologia celular com a engenharia química, tecnologia da informação, robótica, bioética e o biodireito, entre outras. Lida com a manipulação genética e os processos biológicos naturais que podem ser usados para aumentar a produtividade agrícola.

Nas ciências agrárias, sua principal função é a genômica transgênica, além do melhoramento clássico ou tradicional. As pesquisas desenvolvidas na área não giram apenas em torno das mudanças genéticas nas plantas. Há grande potencial, ainda não suficientemente explorado, das técnicas chamadas “convencionais”, em especial a seleção.

Como exemplo, temos o feijão Nuña, desenvolvido pelos incas que viviam a 3 mil metros de altitude. Sua única fonte de proteína era o feijão, cujo maior problema é o cozimento lento, que requer muita energia. Não havia florestas, portanto não havia lenha para o cozimento. Por seleção, desenvolveram uma variedade de feijão chamada Nuña, que com dois minutos de aquecimento fica cozido e se torna comestível.

Hoje, é evidente o uso majoritário da transgenia. Foram bem sucedidas manipulações do milho através da genética clássica, que levaram à diminuição da altura das plantas e do tamanho do pendão, que faziam com que os pés se quebrassem com o vento, assim como levaram ao desenvolvimento de plantas que dão duas espigas ou mais, em vez de apenas uma, visando ao aumento da produção sem a expansão da área cultivada.

Apesar da eficiência da transgenia, é preciso diversificar as técnicas de modificação genética das plantas, que são as ferramentas da biotecnologia, com seus potenciais e limitações. Para maior sucesso nos programas de melhoramento genético das plantas, as técnicas tradicionais e as modernas devem ser empregadas de forma complementar, não sendo consideradas mutuamente excludentes.

Controle biológico

O controle biológico é uma técnica que utiliza meios naturais para diminuir a população de pragas. Uma das maneiras de promover essa erradicação de pragas é a inserção, em determinada área, de predadores naturais do inseto que causa danos às lavouras. O controle é feito por outro organismo (predador, parasita ou patógeno) que ataca a praga, podendo ser muito eficiente no seu controle e não causa danos cumulativos à lavoura ou aos inimigos naturais do alvo do controle. Essa área se relaciona muito com a Entomologia (estudo dos insetos).

O Baculovírus, existente na lagarta, que é a praga da soja, foi a base para o desenvolvimento de um produto biológico de combate. Foi montado um projeto com o objetivo de levar esse produto aos fazendeiros e empresários, visando reduzir o uso de produtos químicos, pois desde a década de 70 a utilização de inseticidas se ampliou. Mas foi difícil convencer os agricultores, pois um produto biológico tem que penetrar no organismo da praga para atingir a célula e se multiplicar. Isso leva muito mais tempo do que a ação de um inseticida. O produtor estava acostumado a aplicar um agrotóxico e ver a lagarta cair, enquanto que o produto biológico não tem essa capacidade. Ele atua lentamente, mas resolve o problema.

As técnicas de controle biológico têm sido usadas de forma instável. Como alguns produtores aplicavam inseticidas químicos cada vez mais cedo no ciclo da cultura, foi gerado um desequilíbrio. Esta prática fez com que as pragas secundárias passassem a causar problemas e o agente biológico deixou de ser o mais indicado, por só matar uma espécie. Houve um retrocesso no programa. Hoje, tenta-se retomar a questão do manejo integrado das pragas. É necessário rever técnicas incorretas, para poder voltar a utilizar um produto específico.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolve projetos no sentido de promover o Manejo Integrado de Pragas (MIP) em todos os estados do país. Seu objetivo é evitar o caos causado pelo excesso de agrotóxicos, que pode provocar a contaminação do solo e das águas.

Engenharia de alimentos

O engenheiro de alimentos é o profissional que promove o controle, processamento e gerenciamento dos alimentos, visando o consumidor. É um profissional que participa de todo processo produtivo dos alimentos, incluindo o controle da qualidade.

Ele atua, principalmente, na indústria de alimentos com o controle de matérias-primas, processamento e  qualidade, além do gerenciamento e desenvolvimento de novos produtos e embalagens.

Faz a análise dos alimentos, sendo fundamental no gerenciamento de unidades industriais, buscando o melhor padrão alimentar. Cuida também dos métodos de reciclagem e de reaproveitamento dos alimentos de origem animal e vegetal.

Além da indústria, ele pode trabalhar em laboratórios, fazendo análises e elaborando projetos de produtos para fábricas de alimentos.

Visa a produção de bens oriundos da floresta, através do manejo de áreas florestais. Tradicionalmente, o campo de trabalho restringia-se às grandes indústrias de carvão, celulose e madeira serrada. Hoje, com a certeza de que a humanidade depende do ambiente em que vive, esta profissão ganhou importância em outros setores. A urgência ecológica vem fazendo essa área crescer cada vez mais, especialmente desde que o grande potencial da floresta em pé como fonte de renda para as populações amazônicas foi reconhecido. Explorar os produtos da floresta pode ser mais lucrativo do que, simplesmente, derrubá-la para vender a madeira, evita o desmatamento e estimula a criatividade dos povos da região.

Nas agências governamentais, o engenheiro florestal trabalha para manter as Unidades de Conservação e fiscalizar o uso das áreas utilizadas pela iniciativa privada. Nas agências de certificação, cria meios para que os consumidores conheçam o comportamento das empresas em relação ao ambiente. Como consultor independente, alavanca a formação de florestas em pequenas e médias propriedades rurais, gerando benefícios para as pequenas comunidades. Como consultor independente, estimula a formação de florestas em pequenas e médias propriedades rurais, gerando benefícios para as pequenas comunidades.

É uma ciência aplicada que visa a exploração racional e sustentável dos animais domésticos e domesticáveis. Ao conhecimento biológico do animal, somam-se os princípios da economia e da produção de alimentos. O objetivo é produzir o máximo no menor tempo possível, sempre visando ao lucro, mas considerando o bem-estar animal.

A zootecnia também se preocupa com a conservação dos recursos naturais. Ela colabora na manutenção dos processos ecológicos e ambientais, garantindo a integridade dos ecossistemas e a conservação das espécies que compõem a nossa diversidade.

As principais especialidades dentro da área são: nutrição, alimentação, forragens, genética, melhoramento, reprodução, manejo, instalações, higiene, tecnologia de produtos e derivados de origem animal e administração rural. O zootécnico pode atuar em qualquer atividade de produção animal, como o desenvolvimento de dietas e supervisão de vacinas; fábricas ou despensa de ração; frigoríficos; centrais de inseminação; empresas privadas com foco na produção animal; representação e venda de produtos relacionados com a produção animal; laboratórios de análise de alimentos destinados a animais; laboratórios de genética zootécnica; produção, implantação e manejo de pastagens; melhoramentos genéticos dos rebanhos e pastagens.

Esse profissional ainda pode atuar no planejamento e execução de projetos de instalações para produção animal; prevenção de enfermidades; manejo e criação de animais silvestres; pesquisa nas áreas de produção animal; ensino de zootecnia e administração de propriedades rurais e indústrias do gênero.

O que fazem

O que fascina e estimula o cientista é a possibilidade da descoberta cotidiana. Nas ciências agrárias, os pesquisadores lidam com atividades relacionadas à caracterização e às técnicas de uso dos vegetais e animais de interesse humano. Tais atividades dizem respeito a todos os tipos de manejo que incrementem a produção. Além disso, microrganismos (fungos, bactérias e vírus) também são muito usados como fertilizantes (bactérias fixadoras de nitrogênio, solubilizadores de fosfatos) e no controle biológico (baculovirus , fungos entomopatogênicos  etc).

Então, os cientistas agrários se sentem gratificados ao inventar e desenvolver insumos agrícolas ou técnicas de manejo que ajudem a proteger o meio ambiente e a saúde humana e animal.

 

Antigamente, as ciências agrárias focavam apenas – ou principalmente – a produtividade. Hoje isso mudou: tornou-se fundamental que a produção esteja em sintonia com a preservação do ambiente.

A silvicultura, por exemplo, atividade que consiste basicamente na plantação de árvores, ganhou destaque por ser a solução para áreas já desmatadas. Também passaram a ser valorizados os sistemas tradicionais de agricultura, característicos de populações pobres. Apesar de não terem interesse econômico e retorno financeiro imediato, essas culturas, muitas vezes, demonstram integração ecológica invejável e poderiam inspirar as modernas agriculturas industriais em modelos mais sustentáveis.

Além do viés econômico das carreiras em ciências agrárias, o aspecto social é importantíssimo. Atualmente, o principal desafio do cientista agrícola é conseguir atender a demandas de escala global, principalmente de países populosos e em ascensão, como é o caso da China, da Índia e do próprio Brasil. E devemos ter especial preocupação com esse aspecto, por ser a fome um dos nossos males mais antigos.

Nosso país tem um papel relevante tanto para suprir os estoques mundiais de alimentos, como para dar respostas na área ambiental. O Brasil não pode seguir a mesma rota de desenvolvimento dos países industrializados, que destruíram as suas florestas, geraram os gases do efeito estufa e têm suas economias baseadas na matriz energética do petróleo. Até porque, aqui temos plenas condições de manter uma produção agrícola sustentável e de reforçar a matriz energética limpa e renovável.

Controle biológico de pragas

Outro aspecto importante na relação do homem com o ambiente é a utilização de inseticidas. Atualmente, a contaminação de alimentos por agrotóxicos é um problema para toda a humanidade. O cientista agrário pode contribuir para contornar esse desafio através do desenvolvimento de bioinseticidas, que reduzem a utilização de produtos químicos.

Um exemplo disso é o baculovírus, extraído da própria lagarta que destrói as plantações de soja. Esse produto biológico foi desenvolvido por pesquisadores brasileiros. O problema é convencer os agricultores do uso desses bioprodutos, porque eles demoram mais a fazer efeito visível. Mas os centros de pesquisa do governo fazem contato com os pequenos produtores e os treinam para utilizar adequadamente os bioinseticidas, assim como a fazer o manejo integrado das pragas. Assim, podem evitar o uso excessivo de agrotóxicos, que provoca a contaminação do solo e das águas.

A pesquisa e o desenvolvimento de melhorias das culturas vegetais e das criações animais é um dos ramos das ciências agrárias. Tais pesquisas buscam incrementar as técnicas de produção como a irrigação, o insumo de nitrogênio, a transgenia e outras. Não é preciso saber de tudo: existe uma grande rede de colaboração com outras áreas de pesquisa científica, como as ciências da terra, as ciências químicas e as ciências biológicas.

Para otimizar a produtividade agrícola em termos quantitativos e qualitativos, ou seja, melhorar o produto e produzir mais, ele deverá, por exemplo, selecionar os grãos e animais resistentes à seca, descobrir pesticidas, desenvolver modelos de crescimento dos grãos e reproduzir culturas in vitro para experimentos.

Também é tarefa dos profissionais das ciências agrárias transformar os produtos primários – vegetais e animais – em produtos finais, prontos para o consumo. Cumprem tal tarefa encontrando meios de conservação, químicos ou físicos, como a utilização de conservantes e a pasteurização dos laticínios. Mas eles não trabalham apenas com alimentos: produtos de origem agrícola são importantes fontes de energia, como a cana-de-açúcar, e de fibras têxteis, como o algodão e o sisal, entre outros.

A maneira de armazenar os produtos de forma a conservar sua qualidade, assim como o seu transporte adequado, também são responsabilidade desses especialistas, que podem ser engenheiros agrônomos e interagir com engenheiros industriais, engenheiros de alimentos e engenheiros de produção, por exemplo. O profissional das ciências agrárias tem que conhecer bem todas as fases da produção.

O estudo e aplicação de novas tecnologias no agronegócio podem ser feitos por engenheiros de agronegócios, gestores de agronegócios e engenheiros de biossistemas. O objetivo geralmente é aumentar a produção, otimizar o armazenamento e o transporte e reduzir o gasto de energia. Para desempenhar bem todas essas atividades, conhecimentos na área de administração e gerenciamento são grandes diferenciais.

Veterinários também trabalham nessa área, controlando o padrão de qualidade dos produtos agrícolas exportados e também dos que chegam ao nosso país.

A prevenção e correção dos efeitos ambientais adversos também são atribuições do cientista agrário. Qualquer possibilidade de degradação das culturas deve ser prevista, com o fim de evitar eventuais desperdícios e antecipar biorremediações.

Este é outro aspecto de grande importância para manter a qualidade do solo e a produção agropecuária. O Brasil é um dos poucos países do mundo onde pode-se cultivar extensas áreas sem o uso de fertilizantes nitrogenados que, além de caros, são potenciais causadores de impacto ambiental. Toda soja cultivada no país é inoculada com bactérias capazes de fixar o nitrogênio da atmosfera, convertendo-o em proteínas nos grãos das leguminosas. Este grupo de bactérias é coletivamente conhecido por “rizóbios”. Estudos já bastante avançados apontam para o uso de outros microrganismos biofertilizadores da agricultura, os quais poderiam ser usados no cultivo de gramíneas (milho, arroz e cana de açúcar), que não formam simbiose com o rizóbio. O sucesso da adoção dessa tecnologia coloca o Brasil entre os países mais avançados e sustentáveis em termos de agricultura.

O que é

A agricultura foi uma invenção do homem que garantiu a sua existência. É a mais importante atividade econômica do planeta, envolvendo em torno de US$ 2,6 trilhões. É responsável por 99% dos alimentos produzidos no mundo.

Hoje, a sociedade moderna enfrenta um desafio: utilizar os recursos naturais de forma sustentável e atender a demanda crescente por alimento, sem aumentar o gasto de energia nem as áreas agricultáveis. Para propor soluções, contamos com os profissionais das ciências agrárias.

Este conjunto multidisciplinar de áreas de estudo envolve agronomia, agronegócio, medicina veterinária e zootecnia, além de diversas engenharias: ambiental, florestal, da indústria madeireira, de pesca, de recursos hídricos, entre outras subáreas. Todos esses campos de estudo visam à segurança alimentar, investindo no aprimoramento técnico para aumentar a produção e a produtividade agropecuária,  com melhorias no manejo que contribuam para o uso sustentável dos recursos naturais.

As pesquisas em ciências agrárias envolvem campos extremamente promissores, como os organismos transgênicos, biocombustíveis, sustentabilidade, mudanças climáticas e defesa sanitária. A crescente demanda por alimentos, aliada à necessidade de preservação dos recursos naturais, colocam essas ciências entre as que têm mais urgência de formação de recursos humanos, pois a demanda por profissionais atuantes e perfil adequado de formação é crescente.

 

É preciso rever urgentemente processos agrícolas que degradam o ambiente. Entre eles, está o uso indiscriminado de produtos químicos, que se acumulam nos lençóis freáticos e emanam para a atmosfera, e a extensão da pecuária, que impacta muitas áreas virgens. Hoje, 200 milhões de hectares brasileiros são destinados à pecuária. Essa área é mais do que o suficiente para suprir as necessidades sociais, inclusive a demanda de carne como alimento. Portanto, o que se deve fazer em relação às terras não é expandir as áreas de exploração, mas aproveitar melhor as áreas ocupadas com maior eficiência produtiva.

Podemos perceber, então, a importância do cientista agrário: o uso de tecnologias apropriadas poupa terras. As inovações tecnológicas no campo, como a agricultura de precisão, o desenvolvimento de sistemas integrados de produção intensiva, e não extensiva, o cultivo mínimo, entre outras, contribuem para uma produção sustentável.

O Brasil tem uma posição de destaque nessa nova agricultura. Sendo uma liderança mundial em Ciência e Tecnologia (C&T) aplicadas à agricultura tropical, o país deve contribuir para o equacionamento do dilema entre o desenvolvimento do agronegócio e a preservação ambiental, visando à segurança alimentar das populações e a independência tecnológica do setor.